Já ultrapassamos a metade da primeira fase da Copa de Literatura. E temos um motivo extra de comemoração: o Jogo 5 está sendo publicado no dia do aniversário dos organizadores Lucas Murtinho e Lu Thomé.
Boa leitura!
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Jurado: Vinícius Castro
Blog / site: http://derivativo.blogspot.com/
Sobre: Nasceu em 1988, em Brasília. Publicou em 2010 pela Geração Editorial seu primeiro romance, Os sinais impossíveis. Mantém o blog altamente derivativo* desde 2005.
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Um romance nos ensina como devemos lê-lo, seja entregando chaves interpretativas óbvias (largando nomes de filósofos pelo chão, por exemplo), seja preparando nossas expectativas e direcionando nossa atenção com o seu ritmo. Paloma Vidal faz isso com muita clareza e confiança (dá quase vontade de dizer didatismo, se não soasse tão mal) em Algum lugar. E como o livro todo acontece em volta dos processos interpretativos da personagem, essa preparação que vai se estabelecendo para que consigamos lê-lo não parece forçada. Ela é a própria história do livro, por assim dizer.
O momento mais lúcido e expressivo dessa preparação vem no seguinte parágrafo:
Ela pensa em escrever um livro e imagina a história de uma viagem de um continente a outro. O livro falaria da invenção de um pertencimento; construiria uma genealogia, atravessando várias cidades, até voltar ao seu ponto de partida. (grifo meu)
É bem isso o que acontece. O livro, sua autora e sua personagem (as três coisas bem misturadas, a voz alternando livremente entre primeira e terceira pessoa) se vêem diante de um mundo esparramado, fumoso, difícil de integrar numa forma bonitinha e satisfatória, e a personagem tenta forçar a “adaptação necessária” a essas circunstâncias, inventar os laços de pertencimento que o mundo teima em não oferecer.
O livro começa com a personagem principal se mudando para Los Angeles com o namorado. Ela está lá para fazer um doutorado, pelo que entendemos, e ele a acompanha. Como é de se esperar, a cidade espalhada e alheia não a acolhe, o namorado se recolhe a uma presença progressivamente fantasmática e a tese, é claro, não caminha tão bem.
Essas várias indeterminações soltas se espelham e se reforçam: as complicações espaciais de Los Angeles (um lugar que não se afirma numa unidade urbanística concentrada, cruel com as tentativas pedestres desavisadas da personagem), o distanciamento vago do igualmente vago namorado e a dificuldade que a personagem tem de progredir na tese. Faz parte da estratégia de Vidal deixar muita coisa obscura, apenas ligeiramente sugerida. Sobre a tese da personagem, temos a impressão de que passa perto de Critical Theory, um tipo de esforço teórico bastante próximo da sensibilidade da autora e do livro (o próprio Fredric Jameson faz um cameozinho simpático como professor na universidade). Se há uma progressão narrativa, é de se intensificar a indeterminação e a confusão da personagem, tudo pontuado por sonhos igualmente desorientados, notícias genéricas sobre a política americana e a guerra no Iraque, pontos incompreensíveis e irredutíveis que a personagem tenta retomar dentro de alguma narrativa e não consegue (um efeito que quase sempre funciona bem, com a exceção dos sonhos mais óbvios e das menções mais concretas e panfletárias à política americana).
Isso também se reforça pelos parágrafos curtos e soltos, raramente contendo unidades narrativas maiores do que uma página. Exemplo:
O que me faz pensar que conseguiria escrever uma tese? A ideia me parece cada vez mais distante. É como se tivesse sido em outra vida. Não é a primeira vez que tenho essa sensação de descolamento, mas desta vez não sinto angústia: simplesmente constato, como alguém que vê partir uma embarcação sem conhecer um dos viajantes a bordo.
Às vezes temos menos do que isso, uma frase só, solta:
O que você tinha imaginado?
Por um lado, fragmentação e indeterminação são procedimentos tecnicamente simples. Basta não fazer costuras e ser deliberadamente vago, afinal. A dificuldade está em realizar uma indeterminação consciente e específica (por mais que soe paradoxal). E Paloma Vidal reconhece, sabe usar o vernáculo desse tipo de sensibilidade.
Já conhecemos (principalmente do cinema contemporâneo) essas estratégias de desterritorialização e estranhamento. Não é acidente que o livro comece num aeroporto, o ‘não-lugar’ por excelência. Paloma Vidal sabe onde está e o que está fazendo. Tipo de complementaridade temática harmônica e coincidente (elementos que se dão as mãos em cirandas bonitas e concordes, sem dificuldade, insistindo em imagens modernosas já assimiladas, a autora apenas cuidando de modular um pouquinho essa sensibilidade fácil) que pode ser perigoso.
Isso quase acontece, mas a autora consegue evitá-lo por pouco. E o que evita que essa subjetividade tão esparramada se perca na tentativa de ser chique e se deleitar no oh-tão-impertencente-mundo-líquido é a confiança de Paloma Vidal em realizar as circunstâncias concretas da personagem. A vaporosa pós-modernidade de arredores acadêmicos poderia se esfumaçar numa atmosfera fina demais não fossem os detalhes opacos da vida da personagem, trazidos à nossa frente com tanta confiança. É uma distinção técnica pequena que acaba por fazer toda a diferença entre um ensaio autobiográfico esperto e marginalmente interessante e um bom romance. A personagem indo comprar móveis, fazendo uma amizade desajeitada com uma coreana, se perdendo sozinha na cidade: não são apenas dramatizações esquemáticas dos temas apresentados, mas situações contingentes e convincentes.
O livro não parece muito interessado em revoluções narrativas, com os seus pequenos problemas se arrastando com elegância, ociosamente. Mas aí a personagem engravida e Algum lugar muda bastante. Depois de voltar ao Brasil e terminar o relacionamento com o pai da criança, as indeterminações todas precisam se dar com esse fato narrativo tão impositivo e certo, com suas circunstâncias orgânicas e familiares previsíveis. Dá pra entender que se encena assim uma tentativa de arrematação, ainda que não de uma resolução narrativa fechadinha. O movimento tentativo que a personagem e a autora realizam durante todo o livro – de invenção de pertencimento, de forçar uma adaptação necessária de suas capacidades interpretativas e afetivas – retorna com o nascimento da filha. Dá para interpretar (embora isso não seja inequívoco) que algo como essa adaptação acontece com a personagem e sua filhinha, Com o fato biológico se transformando em algo profundo e afetivo. Esse movimento não passa perto do brega: tudo continua muito comedido e cuidadoso – até as bonitices da filhinha, narradas com tanto carinho. Não é uma conclusão para todos os problemas apresentados, mas o progresso quietamente contido de uma sensibilidade. E isso já é alguma coisa, já é um tanto.
***
Pensei muito em como faria para invocar a transição entre os dois livros. Um gancho qualquer temático, um eco estilístico, qualquer coisa. Mas além de suas semelhantes condições materiais e proveniências geográficas, os dois livros só tem em comum o fato de estarem ambos contidos nesta resenha, acho. Eles são agressivamente distintos. Acho que teria mais sorte procurando dúcteis equivalências entre o sistema financeiro islandês e a carreira televisiva de Charlie Sheen, ou entre a cidade de Niterói e as contribuições de Norbert Wiener para a teoria da informação.
Uma leve simetria se passa numa pequena comunidade judaica apenas vagamente delineada (parece ser no Brasil, mas não é feito nenhum esforço em determiná-lo) e é perfeitamente encerrado nesse microcosmo. O protagonista é um jovem órfão que aprendeu a entender a sua comunidade (e, por extensão, toda a tradição judaica, desde a língua até os hábitos da fé) como uma grande família estendida. A complicação narrativa, o motor de tudo – e que irrompe bem rapidinho – é o fato dele se apaixonar por um rapaz, Pedro, colega de escola e companheiro de sinagoga.
O livro é chamado de delicado na orelha, de sensível na quarta capa. De fato, desde a edição bonitamente azul e o primeiro parágrafo, já temos bem determinados esse espírito suave. O livro certamente é sensível, mas não sei como poderíamos chamá-lo de delicado. Quando penso em delicado, penso em algo sutil, uma construção fragilmente cristalizada com extremo cuidado, um móbile gentil de recorrências formais autossemelhantes, sei lá. Dentro dos arredores religiosos do livro de Jacobsen, dá para pensar nas vozes narrativas delicadas, lentas e dolorosamente constituídas de gente como Marilynne Robinson, ou Georges Bernanos. Não é este o caso. Não existe sutileza aqui. Todo sentimento hiperbólico de paixão é estourado em imagens previsíveis, em estruturas pré-fabricadas encaixando suas pecinhas como blocos de montar, cheio de frases como:
Se o que sinto é tão bom, por que temo? Pode ser exílio e paraíso ao mesmo tempo? Talvez não, apenas vertigem.
E:
O sono e a saudade traziam o delírio.
Existe, claro, a estrutura formal do livro, uma tentativa bem-vinda de complicação. Cada pequeno capítulo da história é sucedido por um capítulo em itálico recontando – em linguagem poética igualmente derramada, ainda que muito diferente da dos outros capítulos – a história bíblica de Jonatã e Davi, modernamente interpretada por alguns como contendo traços de um amor platônico homossexual. A leve simetria encontrada entre as duas histórias é também a leve simetria formal (por assim dizer) entre os dois amantes, aquilo que impede a realização plena do seu amor.
É uma estratégia viável. Poderia ser interessante o estabelecimento de planos paralelos narrativos tecnicamente distintos, as recorrências e ecos possíveis entre os dois, e até, quem sabe (sonhando bem alto), uma urgência mítica grave conferida ao primeiro plano. Nada disso acontece. É interessante a tentativa de se criar uma voz de registro tão alto e artificioso, mas no seu ar rarefeito se perde qualquer possibilidade empática ficcional. Os vapores de personagens acenam de longe como formiguinhas. Tudo se deposita na linguagem e nos seus ornamentos pretensiosos, mas ela dificilmente aguenta o nível de concentração estilizada (apesar de alguns bons momentos).
A linguagem ficcional de Jacobsen na parte principal da narrativa também tem seus problemas sérios. Tudo é muito vago. Todas as cenas que ele tenta realizar concretamente, todas as descrições físicas. Os detalhes são quase sempre esquemáticos, incapazes de particularizar a experiência e torná-la sentida. A escola, o quarto, a rua, são todos símbolos infográficos puros inseridos ali para possibilitar algum solavanco narrativo. Não existem acidentes descritivos que tornem qualquer cena expressiva e particular (e os que existem costumam cair para o lugar-comum), os personagens têm todos a mesma voz artificial. Eventualmente existem descrições até competentes (da luz indo embora de um dia, do cemitério), mas a vagueza é a sensação que perdura, e que a suposta delicadeza poética não substitui em expressividade. Jacobsen ocasionalmente tem ideias interessantes e expressivas, como:
O medo é um oratório. Nele, colecionamos imagens várias, a materialização de nossos temores, e cedemos à tentação de idolatrá-los: relíquias do que, um dia, já nos assombrou, ícones de feições muitas vezes indistintas, tudo esbatido em meio ao cinza da fumaça desprendida pelo incenso, fantasmagorizado pelo lume impreciso das velas das madrugadas. Não dormimos, não pensamos – nada fazemos além de reverenciar.
Mas são pontos pequenos, logo sufocados pelos exageros desmedidos da linguagem. Mesmo a comunidade judaica é realizada de maneira pouco convincente, seus personagens usando alguns termos de maneira estranhamente forçada, como se estivessem num documentário educativo. Nunca chegamos a sentir a intimidade desse microcosmo (que poderia ser interessantíssima).
A linguagem dos personagens é empostada, de um tom extremamente formal e artificial. Ninguém no mundo fala assim. É bem possível que o autor empregue esse tom mais formal de maneira consciente, se danando pra qualquer função de realidade; a história, afinal, se passa quase num limbo espacialmente indeterminado (ainda que não vago o bastante pra querer ser alegórico). Mas, ao menos para mim, isso torna praticamente todas as falas de todos os personagens um incômodo inexpressivo.
Dois exemplos quase aleatórios de diálogo, pra vocês entenderem:
O Pedro adora aparentar força, mas, depois de falar tudo aquilo, ele desabou. Sim, Daniel, ele chorou nos meus braços.
Desculpe a pressa, Daniel, mas, por falar em generosidade e gentileza, tenho reunião das Pioneiras, estamos planejando uma festa para arrecadar fundos para o asilo, um bocado de trabalho!
A trama familiar de um amor proibido pode parecer particularmente pungente (ou até “ousado”, para quem achar isso relevante) pela sua transfiguração num amor gay sufocado por um ambiente religioso severo. De fato, momentaneamente você chega a sentir pelos personagens e sua situação injusta. Ela chega mais próxima de alguma expressividade nos momentos onde a raiva da mãe se torna mais estranha e desproporcional, ressentida pelo fato de já ter “perdido” o marido pelo mesmo motivo (outra leve simetria: de Pedro com o seu pai, também gay e também reprimido pela sua comunidade). Mas nenhum aspecto do livro – seus personagens, sua linguagem, suas situações dramáticas – jamais ganha forma própria e destacada o bastante para que mereça os sentimentos e reações que ele tenta arrancar da gente (e que já se encontram sempre mastigados, engolidos e digeridos para você).
***
Tenho alguma dificuldade de situar um embate possível entre dois livros tão incrivelmente diferentes. Antes de lê-los, fiquei me divertindo ao imaginar que critérios eu adotaria no caso dos livros serem igualmente fortes. Poderia elencar atributos críticos meio aleatórios e dar notas de um a dez, como num supertrunfo. Poderia eleger um júri fantasma de ilustres falecidos (Samuel Johnson, Susan Sontag e Northrop Frye, sei lá) e tentar julgar os livros pelos seus olhos, papagaiando suas vozes de maneira ridícula e besta. Mas o teatrinho não se faz necessário, afinal. Por mais que Algum lugar tenha defeitos, não tenho nenhuma dúvida de que é um trabalho bem mais forte do que Uma leve simetria. O livro de Paloma Vidal é às vezes contrito e reduzido demais, mas tem originalidade, e é o único dos dois que consegue nos oferecer uma visão própria e confiante, com uma voz narrativa esforçada e inquisitiva.











Poderia elencar atributos críticos meio aleatórios e dar notas de um a dez, como num supertrunfo.
Será que algum jurado vai criar as cartas de supertrunfo de seus livros? Vinícius, te desafio fazer isso na final.
Castro,
Tua resenha tá excelente… exceto no placar final. Eu teria dado um 0×0. Na prorrogação, talvez uLS ganhasse. Concordo em tudo q vc disse sobre uLS; mas esse livro, pelo menos consegui ler até o fim. Não consegui passar da metade de AL.
Acho q os dois livros têm, cada, um problema diferente mas comum em escritores jovens.
uLS tem a pomposidade afetada do jovem q quer “escrever bem” e daí confunde formalismo com profundidade. Digo q isso é coisa de jovem pq ele ainda não percebeu q, ao escrever coisas tais como “esbatido em meio ao cinza da fumaça desprendida pelo incenso”, ele tá se deixando levar por um ideal romântico auto-dramatizante em q o tom do choro é mais importante do q o teor da reclamação –e portanto a quantidade e qualidade das palavras pesam mais do q seu significado. Escrever bem é saber q palavras tais como “esbater”, construções passivas, &c devem ter um motivo inapelável pra estar ali –em vez de outras– pq a trama as exige sinequanonmente… e a trama de uLS é suficientemente simples pra não justificá-las. Teria sido suficiente, e até mais expressivo, dizer “pálido na fumaça cinza do incenso”.
Mas pra mim, o problema de AL é pior. AL confunde complexidade com profundidade e… se acha complexo; e se acha por misturar nações e nacionalidades, filosofias e disciplinas, vozes narrativas e confessionais, pós-modernidade e pós-parto. Isso não é complexidade; é apenas uma confusão, e me cansou logo. Chegar à metade foi difícil. Além desse problema, tem o tom de projeto de artista midiático, isso q vc chamou de “fragmentação e indeterminação”: pra mim, ler AL foi almost, but not quite como entrar numa galeria de arte moderna com aquelas instalações de vídeos barulhentos e desconexos. Acho q tou velho demais pra essas coisas, e ainda nem cheguei aos 90.
Vini;
Sobre os efeitos do romance, contorço de dor quando alguém escreve que o autor consegue fazer “você sentir” alguma coisa numa resenha. Pô, ainda nem li nada e quando lei sua resenha, o “você” sou eu! Fazer com que eu sinta alguma coisa por alguma personagem, só com Isabel Archer, com quem casaria ou teria uma relação extra-conjugal muito respeitosa, porque é moça distinta.
Mas foi você quem escreveu. Nosso amor é belo, mas hoje acordei com dor de cabeça. Desculpe, me antecipei à final, ou escrevi numa dobra temporal e já sei quem ganhou e nãofalonãofalonãofalo.
Mas votaria com você, ainda que sendo muito, mas muito menos generoso com os romances que anda lendo.
E quero reiterar aqui:
PLAUSÍVEL, DÁ CÁ UM ABRAÇO!
Uma crítica normalmente diz muito mais a respeito do crítico do que sobre o objeto criticado.
E essa foi uma das críticas mais mongas que eu já vi na história do futebol brasileiro. Chata, arrastada e pretensiosa pra cacete. Parece aquilo que acontece quando o acadêmico ousa se aventurar pelo mundo real: começa a cagar um vocabulário pseudo-teórico vazio para cimentar seu caminho ideológico inconsistente (ou vaporoso, para usar uma das metáforas preferidas do autor da crítica, de quem, por sinal, já esqueci o nome; e fiquei com preguiça de voltar até o topo da página).
Vamos para alguns exemplos:
“Tipo de complementaridade temática harmônica e coincidente ”
“estratégias de desterritorialização e estranhamento”
“que evita que essa subjetividade tão esparramada se perca na tentativa de ser chique e se deleitar no oh-tão-impertencente-mundo-líquido”
WTF?
“uma urgência mítica grave conferida ao primeiro plano”
sim, urgência mítica.
“Essas várias indeterminações soltas se espelham e se reforçam”
“A vaporosa pós-modernidade de arredores acadêmicos”
“se recolhe a uma presença progressivamente fantasmática“
“um móbile gentil de recorrências formais autossemelhantes”
peraí que eu vou repetir:
“um móbile gentil de recorrências formais autossemelhantes”
Sim, o cara escreve isso e ainda pretende ser levado a sério?
E o pior é que esse tipo de texto consegue enganar muita gente por aí.
O uso desse palavreado monga, que ele acredita dar a base de sua credibilidade (e que ele julga compensar o uso de coisas demasiado tolinhas como “numa forma bonitinha” ou “uma resolução narrativa fechadinha”, “as bonitices da filhinha”, “longe como formiguinhas” e “irrompe bem rapidinho”), na maior parte das vezes não quer dizer nada, carece de objetividade e apenas depõe contra ele próprio, pois o desmascara e expõe seu charlatanismo intelectual. Talvez por isso tenha se identificado tanto com o livro de Paloma Vidal.
Comentário da gerência
Aprovei o comentário 5 acima porque existem nele algumas ideias que alguns talvez considerem dignas do debate, e porque na dúvida tendo a favorecer o comentarista – especialmente quando sua visão do texto publicado é negativo, pois nesses casos minha vontade de ver elogios à Copa pode tornar meu julgamento parcial. Mas aproveito para pedir, ao djegovsky em particular e aos comentaristas em geral, que reflitam sobre suas escolhas de tom e vocabulário. Especialmente num comentário que começa falando sobre como uma crítica diz mais sobre o crítico do que sobre o criticado, é desanimador ler, na linha seguinte, uma qualificação tão intransigente quanto “uma das críticas mais mongas que eu já vi”. Não custa lembrar disso.
Comentário pessoal
Magoei, ninguém deu parabéns nem para a Lu nem para mim.
Porra! Gritei daqui, os parabéns. Se não chegou até aí, é porque eu realmente moro no fim do mundo. Mas cuidado. Com grandes idades, grandes responsabilidades. Grandes merda.
Feliz Aniversário. E só isso é pra valer nesta mensagem.
E, confesso. Ainda que não compartilhe dos pontos de vista do Vini, uma “crítica monga” é o quê? Monga, que eu me lembre, é a mulher-gorila. Então o djegovsky quer dizer que há um subterfúgio prestigitador que transforma mulheres em gorilas, naturalizando o feminino na busca eterna da banana-falo? E que então o tema da feminilidade reprimida pela tirania do masculino nunca saiu de cena e, mesmo quando o assunto é outro, seja ela pós-modernidade, teses de doutorado, pós-parto, tudo o que há é isso? Nada mais a ser debatido? E por fim, descobrimos que Vini não é Vini, pois desmacarado em seu charlatanismo intelectual ele é… (ele é a mulher, o gorila, ou a mulher-gorila, se fazendo em 3?).
Tô tentando entender.
O Vini eu li, entendi e estou em outro time. Não passaria o livro que passou, supondo que ele responda ao que Vini destacou. Ao cabo e ao rabo, considero equivocados os princípios que Vini evoca. Mas o lance do “vocabulário monga”, eu ainda estou custando um pouco mais pra entender.
(e, pô: eu ficaria só na história pós-moderinidade/pós-parto. e se rolassem considerações sobre a depressão pós-ambos, reforçando os diagnósticos do mal-estar do pós-contemporâneo e da pós-graduação, eu aplaudiria de pé. mal aí, essa.)
(putz. me contradice. afinal, eu passaria ou não passaria o mesmo livro que Vini passou? se você acha que sim, ligue 0800-88999971. se você acha que não, ligue 0800-88999972. afinal, você decide e a vida é o quê, senão uma coletânea infinita de “enrola e desenrola”?)
Nem eu nem ninguéns
lhes deu parabéns.
Então ¿como é que é,
Murtinho e Thomé?
Então se publique
“é pique e é pique”.
Djegovsky,
Pô, as palavras têm significado. Li a resenha e entendi tudo. ¿Qual foi o problema? Claro, é meio modernosa demais, zoropéica, estilo eixo Cambridge-Sorbonne; mas tá valendo, fez sentido.
“Monga” deve ser regionalismo, pois aqui no meu prédio todo mundo entende.
Dr Plausível já foi criticado por mim antes em outra caixa de comentários, então imagino que suas críticas agora são inteiramente motivadas por mágoas mal resolvidas. Praticamente um móblie gentil de urgências míticas.
Meu bom amigo Lucas,
Já lhe dei os parabéns por outros meios mas esqueci de dá-los à Lú.
Fica aqui minha mea culpa.
Da resenha: não sei se concordo com a resenha e com o resultado. Nem ao menos sei se discordo. Achei um embate entre livros mornos. Lembram-me muito do campeão do ano passado, Flores Azuis que ganhou por não cometer erros grosseiros. Ano passado grandes livros tiveram seu momento Toninho Cerezo e deram a bola nos pés do time italiano. Olhando hoje Cerezo foi um baita jogador, merece nossa consideração pela carreira e merece ter o fatídico passe esquecido.
Flores Azuis, assim como os livros dessa partida, jogou um futebol burocrático, sem encantar. Será que ainda existe espaço para o futebol-arte na Copa de Literatura?
Acho que com um mínimo atenção na leitura, a resenha do Vinícius está perfeitamente compreensível para não-acadêmicos. Pinçadelas descontextualizantes, como disse o djegocoisa, dizem mais à respeito do crítico do que do criticado. Faltou ele clicar no link sugerido pelo Lucas Murtinho. Fala sério, ironia já é chato, ainda mais boba e mal-feita.
E por que não comentar sobre atenção e boa vontade genuína com que o resenhista leu os livros? Por que não pensar no tom de seriedade e de olhar atento? Por que não ressaltar a generosidade? Por que não comentar sobre a resenha como sendo nada mais nada menos do que a Sua leitura, e pq não valorizar o modo como a leitura foi feita — sem ofender ninguém, como muito pouco provavelmente o comentarista enfesado faria extra-virturalmente?
Os últimos comentários mostram como eu estava certo.
“Sim, o cara escreve isso e ainda pretende ser levado a sério?
E o pior é que esse tipo de texto consegue enganar muita gente por aí.”
Leonardo,
Nunca disse que era uma questão de inteligibilidade.
No mundo real, não costumo ser reconhecido pela cordialidade. Sabedor disso, quando me posiciono no mundo virtual me policio para ser mais o mais moderado e afetuoso possível. Eu cliquei sim no tal link e me identifiquei bastante. E é bem isso que acontece comigo. Quando percebo que me passei em um embate virtual, o que mais quero é ver o oponente de perto, aí posso comparar seu tamanho com o meu e avaliar as possibilidades de uma vitória também no mundo real.
Quanto aos “por que não fiz isso ou aquilo”? Ora, simplesmente porque não vi nada disso que você mencionou, deixo essa tarefa para os fãs dele. “Ressaltar a generosidade”?! Se o resenhista fosse realmente generoso com o público, teria abdicado de escrever e assim nos pouparia de ler esse texto chatíssimo.
Djegovsky,
Ei ei ei… Só fiz uma pergunta, não uma crítica. Pô, sou um cara super legalzinho. ¿Vc tá dizendo (1) q aquelas frases não fazem sentido, ou (2) q seu significado poderia ter sido expresso de maneira menos palavrosa? Eu entendi tudo, então acho q (1) não se aplica. Já sobre o (2), eu diria q parafrasear deixaria o texto híper longo. Tem ali, sim, um certo excesso jovem (“Filho, vc não precisa dizer TUDO.”); mas tá coerente, bem pensado.
Não querendo ser condescendente:
http://drplausivel.blogspot.com/2005/12/kant-e-sua-nmesis.html
Fernando, quanto a Flores Azuis, o livro me encantou sim e creio que deixei isso bem claro na minha resenha. Não há nada de burocrático ali. Defendo o livro com boa literatura.
Leandro,
Eu lembro de sua resenha, mas eu me referia à visão geral dos jurados e das conversas extracampo que participei em alguns momentos.
Lembro-me de um inconformismo de um ou outro livro não chegar à final. Os dois livros que decidiram a Copa ano passado encontraram os jurados certos em seu caminho, um sorteio diferente talvez coloca-se outros livros na final. Mas assim é a história da Copa.
Eu gostei do livro da Carola Saavedra, mas nem de longe era o melhor livro da Copa, nem perto de ser o livro do ano.
Minha reflexão é que este jogo representa o mesmo: dois bons livros, mas que não são ótimos nem são meus favoritos para a Copa.
Como ressaltei anteriormente, “nem de longe era o melhor livro da Copa, nem perto de ser o livro do ano” é sua opinião. A minha opinião é de que o título está em boas mãos num ano com tantas outras boas obras. Todo o mérito para a Carola. Agora se o resultado seria diferente numa outra situaçao é um exercício especulativo completamente sem objetivo.
Leandro: Sim… mas a copa é como futebol… e se o Ronaldo não tivesse convulsionado? E se o Pelé não tivesse se contundido em 66? E se tostão não tivesse abandonado o futebol?
Eu sempre aceitei o resultado da Carola. São as regras do jogo (bom e velho Pirandello ensina!). Como nunca questionei a não inclusão de “Antônio” de Beatriz Bracher em 2008 (a maior injustiça das copas e de muitos prêmios literários).
Minhas opiniões ficam restritas Às caixas de comentário e às resenhas que apito, naquela final eu disse “Meu voto vai para Flores azuis exatamente por ser um livro regular. Talvez não seja um daqueles livros que te pega pelo estômago, que muda sua forma de ler romances (ou, para alguns, que muda a sua vida — mas minha vida não muda com romances), mas é um livro gostoso de ler, honesto e despretensioso na medida certa.” mas não posso falar por outro, então falo por mim.
No fim, vejo apenas uma excelente resenha sobre dois livros que não empolgam. Quero ver na Copa um livro que mova multidões, que empolgue, que se não jogue como a Canarinho de 70, jogue como a de 2002.
Pergunta aos comentadores e torcedores de plantão, qual livro dessa copa te empolga?
Gostei bastante de Uma leve simetria, e estava torcendo para ele seguir mais adiante na Copa. Não li Algum lugar, então não sei se concordo com o resultado do jogo ou não. Mas tive muita dificuldade de encontrar um argumento para opor à avaliação negativa do livro de Jacobsen feita pelo Vinícius.
O que não é um elogio à resenha. Toda apreciação literária é uma opinião, e toda opinião tem que estar aberta ao diálogo. Acho que há no texto do Vinícius alguns juízos definitivos demais, que só abrem ao discordante a possibilidade de responder com um “Não acho”.
Por exemplo:
“A linguagem ficcional de Jacobsen na parte principal da narrativa também tem seus problemas sérios. Tudo é muito vago. Todas as cenas que ele tenta realizar concretamente, todas as descrições físicas. Os detalhes são quase sempre esquemáticos, incapazes de particularizar a experiência e torná-la sentida.”
Não acho. Certamente consegui sentir a experiência do narrador – e essa foi para mim uma das forças do livro: sua capacidade e preocupação emotiva, que me parecem raras na literatura brasileira contemporânea. Mas é uma divergência puramente subjetiva em relação ao juízo do Vinícius. Lemos o mesmo texto e reagimos a ele de formas distintas. Acontece o tempo todo.
Me agarro, porém, a um comentário do Dr Plausível que abriu uma possibilidade de debate:
“Escrever bem é saber q palavras tais como ‘esbater’, construções passivas, &c devem ter um motivo inapelável pra estar ali –em vez de outras– pq a trama as exige sinequanonmente… e a trama de uLS é suficientemente simples pra não justificá-las.”
Tenho dois questionamentos, um geral, outro particular. O geral: a ideia é que uma trama simples deve ser acompanhada por uma linguagem simples? Não é possível gerar qualidade literária do contraste entre as duas? O particular: no caso de Uma leve simetria, a linguagem não serve para nos informar algo a respeito do narrador? O uso de “esbater” etc. não é uma forma, talvez mais forte do que qualquer outra usada no livro, de mostrar um pouco da sua personalidade – talvez até, indo um pouco longe, uma tendência para o drama que coloque em questão sua confiabilidade?
A linguagem de Uma leve simetria não me incomodou, ao contrário. E muito menos os diálogos. Mas a história sim, principalmente o final. É como se houvesse uma mão pesada ali, impedindo qualquer desenvolvimento alternativo, condenando os personagens ao fim que tiveram. E a mãe do Pedro, o que era aquilo? Parecia mais uma vilã de novela, cheia de articulações e subterfúgios, um personagem que ficou meio raso na sua fúria vingadora. Agora, todo esse drama seria justificável, considerando a possibilidade de um narrador não confiável, como o Lucas Murtinho falou? É uma hipótese que não me havia ocorrido.
Veiga: Sobre a personagem “Mãe do Pedro”, tenho a sensação que ela foi carregada nas tintas. como se ela tivesse de representar todas as contradições humanas de uma só vez. Não bastasse que ela fosse humana, ela precisava ser demasiadamente humana. Mas não cheguei a vê-la como uma personagem inverossímil.
O texto de Jacobsen é elegante, mas me incomoda um pouco a tendência de escritores jovens de hoje, ao criar obras de narrativa elegante, se contentem com obras regulares. Sem defeitos, mas sem agarrar o autor pelo estômago.
Olha. Essa história de agarrar pelo estômago… se os leitores lessem como comem, estariam há muito tempo doentes por contaminação alimentar. E olha que nos habituamos a comer mal, mas o que lemos…
Lucas, a questão, da forma que a vejo, é que a adequaçõa entre enredo e linguagem é um conceito delicado e que não se presta a fórmulas como as levantadas pelo Dr. Se uma história simples tiver que ser contada com linguagem idem, o que faremos cmo Ulisses, com O deserto dos Tártaros, com praticamente todo o Lobo Antunes recente – e tantos outros?
Como você disse, uma obra pode se beneficiar do contraste entre enredo e linguagem, o que resta a saber é se essa combinação parece servir AO LIVRO – e no caso de Uma Leve Simetria, creio que sim. A obra está buscando uma simetria entre a história de Davi e Jônatas e a de dois garotos no presente, portanto precisaria, de algum modo, retrabalhar uma dimensão alegórica do Grande Livro.
Refrator.
Muito do que se lê é resultado de uma doença social. Entre em uma livraria de Shopping Center e observe o caixa por algum tempo, perceba o que se compra e o que é conversado pelos consumidores.
Gordura hidrogenada ou trans faz um sucesso tremendo.
Lucas,
eu concordo que o Jacobsen tenta dar todo um grau emotivo à escrita dele, mas qd me referi a sua linguagem como vaga e esquemática, estava falando dos detalhes particulares da ficção dele, tanto nas descrições materiais qt nas metáforas usadas para descrever estados interiores. Você se lembra de algum momento em particular na prosa do livro que não fosse esquemático ou vago?
(até existem, eu citei o trecho do medo. mas acho pouquíssimos)
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Fernando,
não acho que esse seja o defeito de Jacobsen, não. Ele tem uma razoável pretensão formal e emotiva, acho. O que é positivo, aliás.
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Djegovsky,
você fala que eu uso um palavreado pseudo-teórico que é, na maioria das vezes, vazio.
Você precisa que eu te explique alguma coisa ? Desterritorialização é usado amplamente em ciências sociais hoje em dia, e se reporta geralmente à condição atual de fluxos geográficos e o desenraizamento cultural. Imigração pesada, influências resultando em culturas híbridas, etc. O livro é sobre uma brasileira em Los Angeles, uma metrópole notadamente marcada por esse tipo de fenômeno. Estranhamento não é uma palavra tão difícil assim. Precisa que eu ligue os pontinhos?
E urgência mítica. Eu estava falando de uma parte do livro que se apropria de uma história bíblica com linguagem poética. Você sabe o que é um mito?
Se tiver mais alguma dificuldade, por favor, disponha.
Não acho que o meu palavreado dê base a credibilidade nenhuma, aliás. E ninguém é criança aqui pra ficar impressionado com termos tão simples e wikipediáveis como esses todos que eu usei. Você tem todo o direito de achar monga, de achar que resenhas deviam se conter a algum estilo mais jornalísitco, sei lá, a contar a vida do autor e fazer resumo. Mas não vem com essa de ‘pseudo’ e de ‘vazio’ sem se justificar, bróder.
:*
e ah, Fernando,
vou tentar isso do supertrunfo na Final. espero que faça algum sentido ^^
Lucas,
Não fui claro qdo chamei de “simples” a trama de uLS. Quis dizer “intelectualmente simples”. O livro não tem uma complexidade q justifique a escolha de palavras e estruturas recônditas em lugar de palavras e estruturas mais genéricas. Muita coisa em uLS tá ali só como adorno.
Um símile arquitetônico: pra suportar um teto, vc pode simplesmente erguer uns pilares perpendicularmente ao chão. Idéias simples, estrutura simples. Pra deixar essa estrutura simples mais agradável ao olher, vc pode adorná-la. Mesmo q vc encha a superfície dum pilar com arabescos, entalhes e outros adornos, ele continua tendo a função dum pilar simples. Qto mais brega for teu gosto, vc pode achar mais bonito qto mais adornos o pilar tiver. Os adornos podem, eles mesmos, ter significados intrincados e entrelaçados –algo q deixaria o todo bem interessante. Em uLS, coisas como “esbatido” são adornos –polidos e brilhantes, mas adornos– e não são nem intrincados nem tão entrelaçados com outras palavras.
Mas há pilares intelectualmente mais complexos –tais como os pilares inclinados na cripta da Colónia Güell, de Gaudí, ou os do terminal 5 em Heathrow– q, digamos, visualmente se sustentam sozinhos (ie, não precisam de adornos pra ser interessantes); ou mesmo os pilares das catedrais góticas –mantidos em pé por estruturas complexas montadas pra criar um ambiente interno q pode ser adornado com significados.
Qdo vc vê o q é possível fazer intelectualmente com pilares e estruturas –ou mesmo com adornos sobre eles– não faz muito sentido ficar olhando pra adornos dramáticos qdo a estrutura q eles expressam é simples, ou qdo os próprios adornos não se coesam (sim, é o verbo ‘coesar’). Uma coisa q o Jacobsen poderia ter feito, por exemplo, era entrelaçar o léxico e o tom bíblicos aos significados e tons de hoje, pra potencializar a tal da simetria. Mas… mas…
De qqer modo, como frisei, esse até consegui chegar ao final.
K.O
Vinícius, faz um tempinho que li o livro, então não tenho na cabeça nenhum trecho. Mas, de acordo com as minhas lembranças, o trecho do medo que você cita elogiosamente é não uma exceção e sim um exemplo do estilo do estilo e do conteúdo do livro. Eu até inverteria a pergunta e pediria para você mostrar um trecho vago e esquemático do livro, mas no fundo acho que nem vale muito a pena: o que parece vago e esquemático para um será preciso e caótico para outro.
Doutor, gostei da explicação e da analogia. Grato.
Ah, sim, e quanto ao livro de Carola Saavedra. Fui lê-lo só depois da copa, com uma perplexidade infinita de como aquele livro apenas corretinho e completamente esquecível havia vencido. A opinião do Lucas de que “nem de longe era o melhor livro da Copa, nem perto de ser o livro do ano” pode ser dele (e de quem seria?) mas encontra eco em outros leitores – este aqui entre eles.
Voltando ao exercício especulativo que é a alma de qualquer torneio: Carola provavelmente teria avançado até a semifinal sem problemas (entre o livro dela e Dias de Faulkner ou Ponto de Partida, seus adversários, não seria absurdo imaginar que outos jurados dariam a ela a vitória nos mesmos jogos)
Daí porque não entendo a presteza com que o Leandro se lança a defender sua própria escolha quando, bem analisadas as coisas, a grande vantagem de Carola foi o sorteio das chaves. Ela pegou adversários perfeitamente “vencíveis” – incluindo O Ponto de Partida resenhado pelo Leandro – até encontrar o livro do Muttarelli. Essa permanece a grande incógnita: como Flores Azuis derrotou A Arte de Provocar Efeito Sem Causa.
Flores Azuis ganhou o torneio – quando Carola havia realizado muito mais com Toda Terça, que não levou em seu ano.
Carlos, uma correção: o comentário sobre o livro da Carola – com o qual concordo – foi do Fernando, não meu. Também fiquei surpreso, aliás, com a vitória de Flores azuis sobre A arte de produzir efeito sem causa, e pela resenha do AM tive a impressão de que o desagrado com a persona do autor do segundo pesou bastante no resultado do jogo. Cheguei a falar disso com o AM num agradabílissimo jantar em Salvador – e, se ele estiver lendo, adoraria retomar a conversa por aqui.
Lucas,
Vale lembrar que os dois livros da Final da última Copa tiveram um percurso “de sorte” uma vez que na final deixaram de agradar a maioria dos jurados. Fistfucking literário e traduções de músicas do Radiohead desagradaram muita gente.
Nada contra a Carola Saavedra ou pelo Ronaldo Correia Brito, mas esses dois livros definitivamente surpreenderam ao chegar na final da Copa.
Vinícius,
A única dificuldade que eu tenho é de engolir textos enfadonhos de críticos pretensiosos. Quem parece não entender as coisas por aqui é você mesmo, que não entendeu que seu esforço textual só demonstra pobreza de ideias. Mas mesmo assim, como afirmei antes, engana muita gente boa(?) por aí.
Teoria literária é tão útil para a ficção quanto saber as leis da física para aprender a andar de bicicleta.
Minha utopia é que as pessoas pudessem ler como comem.
Fico muito curioso pra saber como sairia a resenha do djegovsky depois de tudo o que ele falou (ou que pelo menos aponte um exemplo de resenha ideal. A resenha do Vinicius tá excelente, dá uma chance aos livros e de jeito nenhum chega perto de ser CoMpLeXa e iNtRaGáVeL como djegovsky fala/insinua.
Teoria literária é tão útil para a ficção quanto saber as leis da física para aprender a andar de bicicleta.
E olha, aprender a reação da saponificação (é isso mesmo o nome?) me faz realmente acreditar mais que quando eu lavo a mão ela está ficando sem gordura/limpa. Acho que não tem uma vez que lavo a mão que eu não lembro dessa reação e ela me faz acreditar mais que o sabão funciona. Ou talvez eu seja apenas uma pessoa com TOC (mais provável).
djegovsky: desculpe. Mas uma coisa é andar de bicicleta pelo parque ou até a padaria. Outra é ser ciclista profissional. As leis da física são importantes para os os atletas do ciclismo. Eles as conhecendo conscientemente ou não. Creio que nós queremos tratar literatura como atividade profissional que a análise exaustiva do desempenho é importante… mas sei lá… talvez seja dom, presente de Deus alguém saber escrever.
Djegovsky,
Conhecer as leis da física é importante pra quem *faz* bicicletas, e tbm pra quem as analisa.
Dr Plausível,
Você fala dos pilares intelectualmente mais complexos e ZZZZzzzzzz…
djegovsky,
Você reclamando do texto do Vinícius e ZZZZzzzzzz…
BORING!!! Vocês dois são extremamente cansativos, mais que a pseudo escrita & crítica contemporânea.
Quanto aos livros, Uma leve simetria tinha tudo para ser um ótico livro, mas tem os problemas que o Vinícius apontou. Algum lugar é um livro chatinho, sem nada muito atraente. Enfim, são livros dispensáveis.
Muah*
Engraçado que a única maneira que encontram para refutar meus argumentos é distorcendo o que eu escrevi.
Não estou desacostumado ao jargão acadêmico, mas depois de passar anos numa faculdade voltada quase que exclusivamente para a teoria, fui treinado a farejar charlatanismo intelectual a quilômetros.
Dr,,
Exato, a analogia direta com as fábricas de bicicletas são as gráficas.
Mas admitirei estar enganado no momento em que ler uma boa ficção escrita por um teórico da literatura.
Rafael S., se eu for convidado para a Copa ano que vem vais poder criticar a minha resenha. Não garanto qualidade, mas pior que a do Vinícius espero que não seja.
abçs
Koltz,
Vc dorme muito facinho. Ler não é pra vc. Tenta outro hobby.
Respondendo ao Fernando.
Entre os quatro que li para esta copa, três me empolgam. Entre os três um me empolga tanto quanto (me parece) o “António” injustiçado por não entrar na copa e não ter ganho prêmios literários segundo você: O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho.
O bom da copa deste ano ter tantos títulos de 2009, é que pude ter acesso a quase todos os livros antes da disputa começar. Infelizmente não tive a mínima vontade de me aprofundar na leitura de cinco deles, cujos nomes não cito para manter a elegância e não ter que me justificar perante um eventual fã dos mesmos.
Cinco. Cinco livros que, ao contrário de minha experiência durante o ano de 2010 (em que descobri muita coisa da literatura contemporânea brasileira que REALMENTE me empolgou), me fizeram lembrar da preguiça que eu tinha de autores brasileiros, contemporâneos ou não (a regra já possuía exceções antes de 2010, um número razoável que poderia fazer questionar o termo “exceções”, um número que, no entanto, não me demovia de alcunhá-las assim). Preguiça profunda. Enfado mesmo.
[Não faço aqui uma crítica à copa, de que tenho gostado muito. Tenho certeza que o processo de seleção foi o mais democrático possível e buscou nos dar um panorama geral do que foi a literatura brasileira nesses dois anos (apesar das omissões citadas em diversos blog, quando do anúncio dos 16 escolhidos).]
No geral, li 4 livros, abandonei 5, queria ler outros 4 (um deles porque já tinha lido a autora antes) e 3 não estavam disponíveis em bibliotecas E não me interessaram minimamente para que eu os folheasse nas livrarias e, eventualmente, comprasse.
Nesse último jogo, perdeu um livro que eu gostaria de dar uma conferida (apesar dos defeitos apontados, sobre os quais só fiquei sabendo agora) e passou à próxima fase um livro que abandonei nas primeiras páginas (entre a vontade de ler o máximo de livros pra copa de literatura e a sensação de perda de tempo de leitura quando poderia estar lendo coisas melhores, venceu a última. Os dois Murakami que li não deixam negar).
Djegovsky, o problema é que tu não apresentou argumentos, e sim xingamentos (e, bem ao estilo gaúcho, um deles só era entendido aqui abaixo do Mampituba).
Quando contestado, tu apelou para a paranoia: o crítico de seu comentário havia sido malhado na edição anterior da Copa, algo que provavelmente só você lembrava. A crítica do Vinícius é mais empolada do que a que eu faria, mas passa loinge de “charlatanice”. Como esta chave não se reflete na partida que vou apitar lá adiante, posso dizer com tranquilidade que eu não daria a vitória à Paloma, e sim ao Rafael, mas o texto do Vinícius apresentou os argumentos pelos quais ele tomou a decisão que tomou, então o que se pode é discordar do resultado e discutir os argumentos, mas tu foi na jugular, descontextualizou o texto do cara pinçando frases, acusa quem apresentou a primeira contestação e ainda reclama de que não te respondem. E vamos combinar: se os teus argumentos são frases de pára-choque indie como essa da bicicleta, não tem muito o que reclamar.
Cheguei atrasado ao jogo, mas gostei do que vi. Boa resenha e motivos bem justos e claros para a vitória. Parabéns à Paloma.